A plantinha da minha mãe!
- Giza Garcia

- 2 de dez. de 2024
- 3 min de leitura
Atualizado: 7 de mar. de 2025

A PLANTINHA DA MINHA MÃE
Esta história aconteceu há mais de 12 anos, embora permaneça fresca em minha mente, como se tivesse acontecido ontem!
Era uma final de ano, e sempre viajávamos antes do período festivo para aproveitar as praias mais distantes do Litoral Norte de São Paulo, que geralmente são as melhores.
Meus pais estavam conosco, então queríamos que eles tivessem acesso a praias desconhecidas para os dois, com a vantagem de que muitas delas ainda estavam quase desertas neste período.
Como aquele era o último dia da viagem, optamos por passar o dia em uma praia de ondas maravilhosas.
Era uma destas praias de tombo, perigosa para os mais velhos, mas tinhamos a opção de atravessar em um canto da praia para um outro local com uma pequena ilhota de águas calmas e tranquilas! Foi lá que passamos horas deliciosas.
Minha mãe, incansável na sua busca por pedras e conchinhas bonitas, enquanto meu pai e os meninos se divertiam na água.
Como não queríamos voltar muito tarde para São Paulo, decidimos vir embora por volta das 15hrs.
Eu já estava entrando no carro, quando minha mãe, com um entusiasmo incontido, me pediu um saquinho plástico ou algo onde ela pudesse colocar uma muda de uma plantinha linda que ela tinha achado!
Como não era área de preservação, nem me incomodou o pedido, afinal, minha mãe sempre amou plantas! Desloquei algumas coisas da bolsa e lhe dei um saquinho plástico preto, que era o único disponivel. Nem me deu ao luxo de olhar a tal plantinha bonita, porque não sou tão boa com plantas. Acho que a única que eu conseguiria cuidar seria um cacto, e com certeza não era um.
Ela acomodou a plantinha num canto do carro e seguimos. Chegamos ao apto e rapidamente colocamos nosso plano em ação e antes da meia noite já estávamos todos em casa em São Paulo.
Semanas e dias se passaram, até que numa costumeira visita de final de semana, minha mãe comentou:
- Vocês nem imaginam como a plantinha que eu trouxe da praia cresceu. Está toda florida!
Eu não dei a mínima para o assunto, mas meu marido que, assim como ela, é grande apreciador de flores, subiu até o terraço para dar uma olhada. Acho que um dos meninos subiu também.
Sem muito interesse, continuei no meu canto assistindo a TV quando de repente ouço uma barulheira imensa. Ela dizendo que não era ia jogar a planta e eles insistindo que ela não poderia ficar com a danada!
Era nada mais, nada menos, que um pé de Cannabis, a famosa maconha, e que por sinal, já estava bem grande!
Diante dos argumentos, que ela poderia ter problemas com a polícia caso algum vizinho avistasse a “plantinha”, ela acabou por ceder e dar fim a plantação.
Mas isso gerou muito história. Minhas noras até hoje brincam com ela, dizendo que ela é a “velhinha do pó”, enquanto os netos fazem sempre questão de averiguar o que ela tem plantado em seus vasos no quintal. A família acha que foi muita maldade acabar com a plantinha, pois a plantação poderia ser um negócio bem lucrativo!
Brincadeiras à parte, ficamos imaginando o que aconteceria se fossemos parados pela polícia rodoviária no caminho. Quem iria acreditar que a muda de Cannabis era simplesmente a plantinha que minha mãe gostou. A história não ia colar e teríamos que dar muitas explicações.
Agora, com seus 90 anos, minha mãe continua deixando a gente meio louco com suas travessuras e, pensando bem, acho que plantar maconha não foi a pior!
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